“Para isto mesmo fostes chamados, pois que
também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os
Seus passos” (1Pe 2:21).
Nos primeiros séculos, o simples fato de
ser cristão poderia resultar em morte terrível. Uma carta escrita ao imperador
de Roma, Trajano, ilustra a precariedade da segurança dos cristãos primitivos.
O autor da carta é Plínio; na época em que a escreveu ele era governador de
Ponto e Bitínia (111-113 d.C.), duas regiões mencionadas em 1 Pedro 1:1.
Plínio escreveu a Trajano, pedindo orientação sobre o que fazer
com as pessoas acusadas de ser cristãs. Ele explicou que havia executado
aqueles que insistiam no cristianismo. Outros diziam que, apesar de terem sido
cristãos no início, haviam abandonado a fé. Plínio permitiu que esses provassem
sua inocência, ordenando-lhes oferecer incenso a estátuas de Trajano e a outros
deuses, além de mandá-los amaldiçoar Jesus.
Adorar um imperador vivo era uma prática rara em Roma, embora na
parte oriental do Império, para onde a primeira carta de Pedro foi enviada,
esse ato fosse permitido e, às vezes, os imperadores até incentivavam a
edificação de templos para si mesmos. Alguns templos possuíam seus próprios
sacerdotes e altares, sobre os quais eram feitos os sacrifícios. Ao mandar que
os cristãos mostrassem sua lealdade ao Império, oferecendo incenso e adoração a
uma estátua do imperador, Plínio estava adotando uma prática muito antiga na
Ásia Menor.
No primeiro século, houve momentos em que os cristãos
enfrentaram graves perigos apenas porque eram cristãos, especialmente nos dias
dos imperadores Nero (54-68 d.C.) e Domiciano (81-96 d.C.).
Eis aqui um trecho mais completo da carta
escrita ao imperador Trajano sobre o sofrimento dos cristãos nos primeiros
séculos: “[…] O método que tenho adotado em relação àqueles que foram
denunciados a mim como cristãos é este: Eu os interrogo e pergunto se eles são,
de fato, cristãos. Se confessam, repito a pergunta mais duas vezes,
acrescentando a ameaça da pena capital. Se eles ainda assim perseveram, ordeno
que sejam executados. Seja qual for a natureza de seu credo, ao menos posso ter
a certeza de que a rebelião e a inflexível obstinação merecem castigo.
“Os que negam ser ou que afirmam nunca ter sido cristãos; que
repetem comigo uma invocação aos deuses; que oferecem adoração às tuas imagens
com o vinho e o incenso encomendados para esse propósito, e que finalmente
amaldiçoam a Cristo (diz-se que nenhum dos verdadeiros cristãos podem ser
forçados a realizar esses atos) – esses, julgo adequado libertar. Outros que
foram delatados por aquele informante, primeiramente confessaram-se cristãos,
mas depois negaram. Realmente, eles foram daquela fé, porém a abandonaram há
cerca de três anos, outros há muitos anos e alguns até havia vinte e cinco
anos. Todos eles adoraram a tua estátua e as imagens dos deuses, e amaldiçoaram
a Cristo” (William Heinemann – Plínio
Letters [As cartas de
Plínio], Londres: 1915; v. 2, p. 401-403).
Fonte/Base:
http://www.escolasabatinaonline.com.br/
- parte de domingo e sexta-feira.
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